Pages

Monday, March 14, 2011

Política:


O DISTRITO DE VERMELHO VELHO

Localização de Vermelho Velho dentro do município.


Vermelho Velho ao longo de sua história pertenceu aos municípios de Manhuaçu, Ponte Nova e Caratinga. Bom Jesus do Galho e Raul Soares. Na década de 30, surgiu a primeira liderança política o coronel José Marta Pires. Mas somente na segunda metade do século XX surgiram os primeiros vereadores: José Alves Nogueira, José Ribeiro da Silva, Trazilbo Vieira Sathler, Edmundo Teixeira, José Macário da Luz, José de Souza Pires e Hélcio da Silva Araújo. Foram prefeitos: José Zeferino Pires, Carlito Brandão e José Macário da Luz. Durante muitos anos houve bipartidarismo.

FONTE: Wikipédia.

Educação:

A ESCOLA ESTADUAL ALBANO PIRES

Desde a década de 60 educando os vermelhenses


Prédio da E. E. Albano Pires.


Vermelho Velho conta com a disponibilidade de uma belíssima escola e uma equipe de educadores competentes e dedicados. A Escola Estadual Albano Pires oferece o Ensino fundamental, dos anos iniciais até o 9º ano. Os alunos têm transporte à disposição. O número de crianças na escola é satisfatório. A realidade atual representa um grande avanço se compararmos com outras épocas, quando havia um número reduzido de aluno, falta de transporte, merenda e material didático.

Nas décadas anteriores a 90, os estudantes vinham das comunidades rurais a pé, a maioria estava fora da faixa etária e vigorava uma ideia entre os pais que o 4º ano primário já seria suficiente para quem iria residir na zona rural. Muitos empecilhos foram superados e a educação caminha bem. O número de pessoas que atinge o nível superior aumentou bastante dos anos 90 pra cá.

Segundo relatos orais, na década de 40 havia uma escola que oferecia até o 3º ano primário. O seu funcionamento era na praça São Francisco de Assis. Em 1960, a Secretaria de Educação de Minas Gerais criou as Escolas Reunidas. A primeira diretora foi Maria da Glória Santana. A Escola Estadual Albano Pires, recebeu este em homenagem ao doador do terreno no qual ela está construída.

Religião:

A TRAJETÓRIA DO CATOLICISMO


O catolicismo chegou ao distrito de Vermelho Velho no século XIX com os primeiros habitantes. Naquela época, o território integrava a extensa arquidioce de Mariana. A paróquia foi criada a 18 de novembro de 1865, a localidade foi denominada de Freguesia de São Francisco do Vermelho. Porém, a 20 de julho de 1868, a freguesia foi transferida para Santa Helena, atual Caputira. A região nessa época achava-se pertencendo ao Município de Ponte Nova. A paróquia foi erigida pelo arcebispo dom Viçoso. Durante seu pastoreio visitou Vermelho Velho.

Em 1877, dom Benevides restaurou a sede paroquial. Criou uma nova paróquia distinta de Santa Helena, pela lei número 2915, de 25 de setembro de 1887. Quase vinte anos depois, a paróquia recupera autonomia administrativa que estava subordinada a Caputira. Agora integrando a Comarca de Manhuaçu.

Em 1893, Dom Silvério, como bispo auxiliar de Mariana, visitou Vermelho Velho pela primeira vez. O fato marcante dos anos 1890 é que nascia Raimundo Rodolfo Corrêa que nos inícios do século seguinte viria a ser o primeiro presbítero da terra, isto no dia 3 de agosto de 1890. A paróquia na época tinha duas capelas: a do Patrimônio do Óculo e de Nossa Senhora da Conceição, povoado de Vermelho Novo.

O cronista padre José Jésus de Araújo, o primeiro a registrar a história, dividiu a história da paróquia até 1934, em três períodos.

1º Período: Subordinação à Santa Helena (Caputira). Das origens até a chegada de padre Rafael Paolielo (de 1868-1886).

2º Período: Subordinada a Vermelho Novo. Do padre Paolielo ao padre Horácio (de 1886-1934). A sede paroquial era Vermelho Velho, mas os párocos residiam em Vermelho Novo.

3º Período: Párocos residentes. De 1935 a 1964 (até padre Jésus Araújo). Essa fase é a época de ouro de Vermelho Velho, o café trouxe prosperidade e a religiosidade se intensificou. Ao mesmo tempo, chegaram os primeiros evangélicos, diversificando o quadro religioso.

4º Período: Pastoreio de padre Antônio Carvalho, com residência e Dom Lara (de 1965 a 1984). A paróquia começou a se adaptar lentamente às mudanças do Concílio Vaticano II.

5° Período: Nova subordinação a Vermelho Novo. Iniciado com padre Gersino e durou até 2000 (de 1985-2000).


LISTA DOS PÁROCOS E ADMINISTRADORES PAROQUIAIS:


01.João José de Souza (1870)

02.João Facundo (1880-1882)

03.Rafael Paolielo (1886-1888)

04.Modesto Augusto Vieira (1901-1910)

05.Francisco José de Souza (1909-1914)

06.Cícero Carlos de Couto (1908-1925)

07.Cosme Faggiano (1915-1916)

08.Anônio Maria Brito Cardoso (1924-1925)

09.José Miguel Arantes (1928-1933)

10.Luís Ernesto (1936)

11.Horácio Marques da Rocha (1934-37)

12.Manuel Moreira de Abreu (provisoriamente) - Vermelho Noco

13.Antônio Gaspar de Souza Coutinho (1942)

14.Antônio Custódio Braga (década de 40)

15.Dionísio Homem de Faria (provisoriamente) - Bom Jesus do Galho

16.João Nonato do Amaral (1950-56)

17.Vicente Passari (1954-56)

18.Ermelindo Ribeiro (1957) - Raul Soares

19.Paulo Campos (1957-61)

20.Sátiro Costa (1961)

21.José Jésus Gomes de Araújo (1964-65)

22.Antônio Batista Carvalho (1965-84)

23.Gercino Basílio Toledo (1984-86)

24.Silas Paula Barros (1988-98)

25.Silto Lourenço Pigaiani (1998-99)

26.José Maria de Barros (1999-2000)

27.José Gerlado Gouvêa (2000-2001)


FONTE: Wikipédia.

NOTA: Vide na wikipédia artigo completo "Paróquia de São Francisco de Assis (Vermelho Velho)"

Conhecendo nossa terra I:


RELIGIÃO: IGREJAS CRISTÃS

A predominância é do catolicismo. Existem minorias evangélicas. A Paróquia São Francisco de Assis foi fundada no século XIX e até a década de 40 fez do catolicismo a religião absoluta. A paróquia pertence à diocese de Caratinga. Nos anos 40, apareceu o protestantismo através da Igreja Presbiteriana. Nos anos 80, apareceu a Igreja Assembleia de Deus. Dentro do catolicismo existem os Grupos de Reflexão, o Apostolado da Oração e a Sociedade de São Vicente de Paulo, única instituição filantrópica da localidade.


Igreja Matriz.

Igreja Presbiteriana.

Assembleia de Deus.


Datas Importantes:


CRONOLOGIA DA HISTÓRIA DE VERMELHO VELHO


1831: José Alves do Valle chega na aldeia dos boachás e inicia o povoamento do distrito.

1840: A família Quintão adquire fazenda na região.

1856: É criado o distrito de ribeirão Vermelho.

1865: É criada a paróquia de São Francisco do Vermelho Velho a 18 de novembro.

1868: A paróquia fica subordinada a Caputira.

1890: O distrito integra o município de Caratinga.

1890: Instalação do cartório a 26 de novembro.

1913: O distrito é suprimido por vingança política.

1923: O distrito é restaurado a 7 de setembro.

1924: Passa a integrar o municípío de Raul Soares.

1930: Chega da Estrada de Ferro Leopoldina.

1936: Fundação da Conferência São Francisco de Assis da Sociedade de São Vicente de Paulo.

1937: Abertura da agência dos Correios.

1946: Construção da igreja presbiteriana.

1947: Luta pela emancipação com derrota dos vermelhenses.

1960: Criação da Escola Estadual Albano Pires.

1966: Inauguração da atual igreja católica.

1980: Desativação da ferrovia.

1996: Inauguração do asfalto Raul Soares/Vermelho Velho/Bom Jesus do Galho.

Nossa História:


INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DE VERMELHO VELHO



Os primeiros habitantes da região foram os índios aimorés chamados de boachás. Segundo a comparação de dados de Gamito (2009, p. 6-7), os habitantes primitivos seriam os puris. O primeiro explorador da localidade foi José Alves do Valle, na década de 1830. A vegetação era de mata nativa. Partindo do córrego do Boachá, Vale fez amizade com os ameríndios e tomou posse das terras em torno do ribeirão Vermelho. A fazenda se tornou vila. O distrito foi criado a 23 de maio de 1856 e a paróquia a 18 de novembro de 1865. Em 9 de outubro de 1852, o casal Francisco Antunes da Costa e Maria Rita de São José doaram o terreno do patrimônio.

O meio de transporte era feito por meio de tropas de animais e carros de boi. Em 1916 surgiu a Rede Ferroviária em Raul Soares e em 1930 estendeu-se até o distrito. Na década de 90, aquela foi substituída pela rodovia que liga Raul Soares a Caratinga, a BR 116. A política local foi durante várias décadas dominada pelo coronelismo. Depois houve transformações na política, criando-se dois partidos políticos o UDN (União Democrática Nacional) e o PSD (Partido Social Democrático), marcados por rivalidades. Houve vermelhenses com grandes destaques, sendo que três deles foram prefeitos do município como: Carlito Ferreira Brandão, Zeferino Pires e José Macário da Luz. Dois deles residiram em Vermelho Velho: Carlito e José Macário. No entanto, a liderança regional que influenciou um período mais longo e diretamente a vida dos vermelhense foi o Coronel José Martha Pires. As ruas antigamente eram nomeadas como Rua da Direita, Pongó e Tabuinha.

A religião predominante naquela época era o catolicismo, surgindo, em 1932, o Protestantismo representado pela Igreja Presbiteriana. A igreja católica era feita de tábuas e pregos e só em 1947 é que foi demolida e iniciou-se a construção da atual. A agricultura era variada: arroz, milho, café, mandioca e cana-de-açúcar. Houve um crescimento grande na agricultura, por isso foi preciso construir um armazém para fazer o depósito dos cereais, com o nome Castro Mendes e Cia., a empresa negociava café e cereais. O transporte dos produtos era feito por tropas e carro de boi. As iniciativas culturais eram representadas por cinema, teatro e duas bandas de música (Francisco Martins e Manoel Abrão).

Havia os estabelecimentos comerciais: José Turquinho, Querino Leôncio da Luz, Abel Alves Nogueira, José Nogueira, Joaquim Alves de Souza e outros. A partir de 1980, ressurgiu o cartório em Vermelho Velho. A agricultura foi substituída pela pecuária. Cresceu a cultura do bovino, suíno, eqüino. O abastecimento de água era feito de forma precária, ou seja, a água era retirada de cisternas. A iluminação era de forma precária, era feita através de lamparinas com querosene e não existia iluminação nas ruas. Com o tempo surgiu a usina hidrelétrica de Joaquim Alves de Souza, depois, vindo de Raul Soares, a Força e Luz para depois vir a CEMIG (Central Energética de Minas Gerais). O período áureo de Vermelho Velho coincidiu com a ferrovia e florescimento da cafeicultura. A época compreende as décadas de 30 a 70.


FONTE: Wikipédia.

Sunday, March 13, 2011

Pré-degustação:

VERMELHO VELHO: COMO TUDO COMEÇOU?


José Aristides da Silva Gamito*


Nas primeiras décadas do século XIX, toda a extensão ao longo do Paraíba do Sul até o rio Doce, o sudeste de Minas Gerais e o sul do Espírito Santo, eram povoados pelos índios puris. Essa região passou a ser interesse dos colonos somente com o fim do ciclo do ouro. As pessoas partiram da região mineradora para a Zona da Mata explorando as florestas, e posteriormente, dedicando-se à atividade agrícola, sendo o maior destaque a cafeicultura. As riquezas dessa atividade econômica levaram o município de Manhuaçu a se tornar uma república independente em 1896.

Vermelho Velho tem sua origem nesse processo de expansão. Em 1831, o explorador José Alves do Valle e sua família em busca de terras férteis chegaram até a Fazenda do Boachá. Segundo a tradição oral, em Vermelho Velho, onde se situava a antiga estação ferroviária havia uma aldeia indígena. José Alves fez amizade com esses indígenas e acabou dominando suas terras. Essa tribo foi dizimada pelo sarampo. A partir deste primeiro núcleo de povoamento a vila surgiu e se tornou distrito em 1856. Os nomes originais eram Ribeirão Vermelho, Freguesia de São Francisco do Vermelho.

A tradição oral assegura também que o nome foi dado em razão de o ribeirão apresentar terra vermelha em suas margens. Durante o seu período de desenvolvimento Vermelho Velho pertenceu a vários municípios até a sua atual condição de integrante do município de Raul Soares. A vida dos primeiros habitantes era de muito sacrifício, a região ficava muito distante das cidades maiores. O transporte dos produtos, as novidades, o contato com a capital do Império, era tudo difícil.

A chegada da ferrovia possibilitou bastante o progresso da região. Vermelho Velho se destacou na sua época de grande produção de café e cereais. O entusiasmo foi tão grande que em 1947 o padre Antônio Braga iniciou o processo de emancipação e que acabou não se concretizando por divergências políticas. O declínio só veio mais tarde com o êxodo rural na década de 70. Crimes políticos, intrigas, cangaço, pontos positivos e negativos marcaram a história dessa vila que parou no tempo.

Dois vermelhenses, eu, José Aristides da Silva Gamito, e José Alves Frutuoso, estamos nos preparando para publicar o livro “Vermelho Velho: Memórias e Perspectivas”. A obra contará e recontará a história desse povo que teve que enfrentar muitas dificuldades políticas e financeiras para atualmente se orgulhar de seu passado. Neste artigo, fica a pré-degustação da pesquisa que realizamos.

*Filósofo, teólogo e especialista em Docência do Ensino Básico e do Superior.